Queda dos juros X Colapso da Economia

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Dois eventos marcaram a economia brasileira nesta semana. Primeiro, o Banco Central baixou a Selic, que é a taxa de juros básica da economia brasileira, em 0,75%, passando para 3%. Outro evento foi o encontro do Presidente Jair Bolsonaro com os empresários, no Palácio do Alvorada, que segundo a imprensa, representam 45% do PIB.

Alguns economista tem criticado a posição do Banco Central, pela falta de agressividade, com que vem administrando a Selic. Em quase todo o mundo a taxa de juros básico da economia está negativa, e a do Brasil, com uma conjuntura desfavorável, continua sendo a mais alta do mundo com a previsão do PIB, no pior cenário, ter uma queda em torno de 11% em 2020, segundo um estudo de economistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Quando analisamos a Ata do Conselho de Política Monetária (Copom), fica claro que o mesmo está tutelado pelos economistas do capital financeiro, que não sinalizam para acelerar a queda da taxa mais acentuada, dando mais estímulo a economia, ainda estão presos na mantra da rigidez da politica fiscal, ainda chantageiam o parlamento para a aprovação das reformas em um ano de Pandemia pelo Covid-19, aprofundando ainda mais o caos econômico.

O Segundo evento do dia foi a reunião com os empresários de vários setores da industria brasileira, que cuminou numa patética romaria ao STF, com uma clara intenção de pressionar o Supremo pelo fim do isolamento social.

O Ministro Paulo Guedes afirmou na reunião com Dias Toffoli, que o empresariado brasileiro está “emitindo sinais” de que a economia vai colapsar e que medidas precisam ser tomadas com urgência e finalizou sua fala alimentando sua base ideológica, “para evitar que o Brasil vire uma Venezuela”, como um Ministro da Economia do Brasil faz comparação tão primária das duas economias. Puro sofisma.

Estes são os pontos de divergências: de um lado um Banco Central conservador que diz na Ata da reunião que “o Copom optou por uma provisão de estímulo mais moderado, com o benefício de acumular mais informação até sua próxima reunião”. Ou seja, ainda precisa de mais informação em uma economia que o Ministro da Economia diz que vai entra em colapso. Um jogo combinado, tendo em vista, que o Ministro é banqueiro e se beneficia das taxas praticadas pelo Bacen.

Se o diagnóstico é de caos na economia, o PIB em queda livre, o baixo consumo das famílias que não pressiona a inflação, porquê manter a taxa de juros mais alta do mundo?

Joeides Pereira da Paz
É Economista
Articulista Econômico do Portal De Olho Em Gravatá e Economia PE.