O Brasil é de fato um país “sui generis”, sempre atrasado em questão de política econômica, sempre preso aos interesses imediatos do capital financeiro em detrimento ao bem estar da sociedade. Com a Pandemia, o Brasil vai ter uma queda de quase 10% do PIB, e tanto a equipe econômica do governo, a mídia e o capital financeiro, não aceita discutir uma saída heterodoxa para a retomada da atividade econômica e continua legislando em causa própria com a cantilena da austeridade fiscal.

Decididamente, estamos condenados ao fracasso em termos de política econômica, se continuar com este discurso, vamos ter mais uma década perdida. Em abril, o então Ministro da Casa Civil Braga Neto, tentou colocar no debate um Plano de Retomada do Investimento Público chamado “Plano Pós-Brasil”, e foi desautorizado publicamente pelo Ministro Paulo Guedes. Novamente, o debate de como vamos sobreviver economicamente pós-pandemia foi bloqueado.

O caos, é a arma de Paulo Guedes para justificar sua presença no Governo, vai ficando claro que só está ali para fazer negócios, quando se tenta debater política econômica anti-cíclica ele vem com austeridade fiscal e privatização, até o Banco do Brasil está sob ameaça. Não tem dimensão para conduzir uma economia, nem em tempos normais, muito menos em uma crise da magnitude da Pandemia do Covid-19. Sempre com muitas firulas, enganando até o Presidente que não entende nada de economia. O exemplo claro foi o encolhimento do PIB em 1% no primeiro trimestre deste ano, quando ainda não tinha o impacto da Pandemia, e o Ministro Paulo Guedes, com suas firulas, dizia que a economia está voando.

Diferente da pobreza do debate no Brasil, as economias centrais, já começam a desenhar políticas econômicas pós-pandemia. Por exemplo, os EUA, o centro das politicas de autoridade, para os outros, entendeu a necessidade de um pacote de medidas para enfrentar a pandemia. Faz uma política de estímulo monetário, saindo em socorro das empresas, com mais de US$ 700 bilhões em compras de ativos e em uma reunião emergencial do Federal Reserve (FED), reduziu as taxas de juros num intervalo de 0-0,25%.

Fez uma operação e financiamento de liquidez, trilhões de dólares em acordos de recompra inundaram os mercados com dinheiro, financiamento de suportes para empresas fornecerem empréstimos que se estendem até quatro anos. Estimulo fiscal, um pacote de US$ 2 trilhões para ajudar indústria afetadas com empréstimos e uma quantia comparável para pagamentos diretos de até US$ 3 mil a milhões de famílias norte-americana.

Na União Europeia(UE), campeã de austeridade fiscal, abandonaram radicalmente está política e propiram um pacote de 500 bilhões de euros para socorrer os países do Bloco, desse valor, 100 bilhões de euros foram utilizados para recapitalizar e comparar participações em empresas afetadas pelo coronavírus. A Alemanha, o centro gravitacional da austeridade fiscal, acaba de autorizar empréstimos de 10 bilhões de euros, através de um corte inédito no imposto sobre valor agregado. Lógico que, passada a crise, volta a racionalidade fiscal, no entanto, o momento é de política econômica anticíclica para não perder o dinamismo da economia, que o rigor fiscal, inevitavelmente impedirá qualquer recuperação.

Voltando para o Brasil, estamos perdendo tempo com as firulas do Paulo Guedes. Passado quatro meses da Pandemia no Brasil, estamos discutindo como chegar o dinheiro para os micros e pequenos empresários, que empregam mais de 60% da força de trabalho, e para o Paulo Guedes, dá prejuízo. Os atores políticos e o Deus Mercado, já entenderam que não saíram desta crise com este Ministro. E com suas firulas, inevitavelmente não temos saída pós pandemia.

Joeides Pereira da Paz
Articulador Econômico – Economia PE