A pandemia do novo coronavírus vai ser o primeiro grande teste das áreas de recuperação de créditos vencidos nos grandes bancos de varejo no Brasil. Desde a Operação Lava Jato, os pesos-pesados do setor financeiro se voltaram a essas operações, deixadas de lado por anos.

Enquanto o Itaú Unibanco aproveitou a crise do BTG Pactual para arrematar a Recovery, o Santander comprou a gestora Ipanema, atual Return. Mais recentemente, o Bradesco adquiriu o controle da RCB Investimentos.

Com o aumento da inadimplência esperado por causa da pandemia, as áreas de cobrança estruturadas nos últimos anos a partir de aquisições serão colocadas à prova. “Todas essas empresas já viveram períodos turbulentos, mas, agora, pela primeira vez em uma grande crise, estão incorporadas aos bancos”, explica o sócio da plataforma de investimentos alternativos Jive, Guilherme Ferreira.

A situação de fragilidade econômica causada pelas medidas de isolamento social já começa a se refletir na recuperação do crédito, que ficou mais difícil. E deve piorar mais, conforme executivos ouvidos pelo Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

As carências concedidas para as dívidas em dia em meio à pandemia, nas palavras de um vice-presidente de um grande banco, somente “achatam” a curva da inadimplência que vai elevar a quantidade de empréstimos vencidos. “Nesse momento, as áreas de recuperação de crédito têm um papel super importante, principalmente, nos créditos com atraso longo. São uma extensão do braço de cobrança dos bancos”, diz o presidente da Recovery, Wagner Sanches.