A malha aérea de Pernambuco começa a retomar o fôlego em junho, ainda que lenta e gradativamene, com o aumento de quase 50% no número de voos diários no Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes – Gilberto Freyre em relação a maio. Apesar de a variação percentual ser representativa, ainda assim os números absolutos são pequenos, quando comparados com o período que antecedia a pandemia do coronavírus. Neste mês, o terminal da capital pernambucana terá 32 voos diários, entre pousos e decolagens, contra 19 em maio, segundo levantamento da Anac. O estado ganha relevância como ponto de embarque e desembarque no Nordeste, já que a malha aérea terá mais que o dobro no número de voos em relação a capitais como Fortaleza, no Ceará, com 14, e Salvador, na Bahia, com 15. O mercado nacional, principalmente o regional, é o foco deste reinício, enquanto as perspectivas para o mercado internacional fiquem para o segundo semestre. 

A demanda para o início da retomada não se baseia no turismo de lazer, que será o último neste setor a voltar a crescer. Porém, Pernambuco é um polo regional e existe um fluxo natural de passageiros, seja de negócios como também os que atendem a fluxo migratório no país. “Ainda não é turismo de lazer, mas existe um fluxo de pessoas. Algumas que moram fora, que têm família aqui, empresas que têm negócios regionais. E isso vai continuar acontecendo. É, inclusive, uma demanda que está acumulada. Quando as pessoas perceberem que está melhorando a situação sanitária, vai começar a vir para cá. E essa demanda de passageiros é uma sinalização positiva de retomada para as companhias aéreas, sabendo que precisa que os números de contaminação da Covid-19 continue caindo para a demanda crescer”, explica Rodrigo Novaes, secretário de Turismo de Pernambuco. 

A pandemia fez a demanda cair bruscamente. Entre janeiro e fevereiro, o aeroporto do Recife registrou fluxo de 2,2 milhões de passageiros, segundo dados da Infraero, registrados pelo setor de Estudos e Pesquisas da Empetur. Em abril, o terminal da capital pernambucana se destacou regionalmente com um volume muito inferior, de 77 mil pessoas, já que Salvador e Fortaleza registraram 33 mil e 21 mil pessoas, respectivamente. Um volume que se manteve ativo baseado no mercado regional. 

“O que temos de informação é que em julho e agosto as companhias aéreas vão operar com 15% da malha. De setembro a novembro, com 25%. E o otimismo está maior para dezembro, quando deve chegar a 70% das operações. A gente vê o mercado nacional, com exceção do regional, crescendo a partir de setembro. Mesmo no mercado brasileiro mais forte, como o Sul e Sudeste, ele vai estar retraído porque a malha retraiu também, estamos operando com 10% das três principais companhias. Já o internacional é muito difícil de ter uma situação ainda neste ano. Além da questão econômica, envolve também a segurança e as pessoas não vão sair de seus lugares com medo de uma segunda onda do coronavírus”, afirma Eduardo Tiburcius, presidente do Porto de Galinhas Convention & Bureau. 

Para garantir a segurança dos passageiros e também passar confiança da proteção sanitária, neste momento de retomada da demanda de passageiros, o aeroporto do Recife tem preparado um protocolo de medidas para receber os turistas no estado. “Temos discutido com a Aena, , e esse plano está sendo desenhado, não é algo simples e depende da Anvisa”, conclui Rodrigo Novaes.